Donnerstag, 28. Februar 2013

Ai meu Deus - Religião

Todos os meios de comunicação aqui no Brasil no momento só querem falar do Papa Bento XVI. Isso me faz lembrar que há uns cinco anos eu e meu marido fomos excomungados da igreja católica. Mas calma, não nos associamos com o chifrudo, não – bate na madeira, lá ele. A estória, bem babaca na verdade, foi a seguinte.

Nós dois, canguinhas que só, decidimos que não estávamos mais a fim de pagar dízimo. Na Alemanha um imposto de até 9% é descontado de sua renda mensal para sua igreja. Percorremos todo caminho burocrático para nos desafiliar e ficamos pasmos quando, ao final do processo, ele recebeu uma carta da igreja da Polônia onde ele foi batizado, dizendo que era com profunda tristeza que eles concluiam o processo de seu desligamento da igreja católica. Na mesma carta eles ainda listavam todos os privilégios de ordem prática e espiritual que ele estaria perdendo e queriam saber por A mais B se ele estava realmente certo de sua decisão. A carta termina informando que ainda haveria uma possibilidade dele desistir de ser excomungado, de se arrepender e retornar à igreja.


A carta foi tão enfática e convincente que por pouco não desistimos do processo. Ficamos nos questionando se talvéz não fosse melhor mudar de idéia, vai que o juízo final realmente acontece, que dúvida cruel. Resolvemos esperar minha carta chegar pra tomar a decisão. Hoje já são quase cinco anos depois e começo a achar que das duas uma: ou minha carta foi extraviada ou, ao contrário da igreja católica na Polônia, a do Brasil não está nem aí pro que vai acontecer com meu imposto, que dirá com meu espírito depois do armagedom.


Uma parte de mim ficou indignada, como um filho que descobre que o seu irmão mais novo é o favorito dos pais. Mas a outra parte compreendeu na hora o que meu marido chama da "leveza religiosa do Brasil". É como se o Brasil dissesse: "Não quer ser católico? Que pena ou que bom - você escolhe." Poder ter essa liberdade também é muito bom.

Na minha opinão, quando episódios de intolerância religiosa no Brasil se manifestam, eles surgem das cabeças limitadas de certos indivíduos e não do estado. Muito pelo contrário, nossa constituição assegura a igualdade e liberdade religiosas e preve penas pra quem desrespeita isso. Ano passado, uns turistas alemães que estavam aqui em casa, me chamaram atenção para uns informes de utilidade pública que de vez em quando se via aqui na TV. Nesses informes, líderes de comunidades religiosas diferentes explicavam um pouco de suas doutrinas. Até agora já ví do budismo, judaísmo, islamismo e xintoísmo, mas sei que existem muitos outros. Os alemães que viram isso ficaram fascinados. Acharam interessante também o nome de um bairro aqui de Salvador - "Jardim de Alah" - e ficaram de queixo caído com o que eu lhes expliquei sobre o sincretismo religioso, que faz parte de nossa cultura. Aqui em Salvador, além do Jardim de Alah, os visitantes podem também encontrar um "Terreiro de Jesus". Isso tudo é meio difícil de imaginar na Alemanha. 

A Alemanha é, na sua grande maioria, protestante no norte e católica no sul. No entanto, existe uma série de outras religiões sendo praticadas por lá também. Até onde eu sei, o governo diz que não se mistura com religião, mas também não se assume estritamente laico e na prática vive discutindo o assunto e criando medidas contra certas práticas religiosas. E é aí onde está o xis da questão.

O que eu acho que é bem tranquilo na Alemanha é admitir que se é ateu ou agnóstico. Lá ninguém se choca quando uma pessoa diz algo assim. Aqui esse tema é meio complicado, tem muita gente que fica inconformada, tentando mudar a opinião do outro se ele revela uma coisa dessas. Mas voltando à Alemanha, lá além de protestantes e católicos, existem também mulçumanos, judeus e outras minorias religiosas. A constituição alemã também assegura o direito de liberdade religiosa, mas todo mundo sabe que a maravilhosa equidade das constituições nem sempre pode ser traduzida de forma tranquila pra vida prática. Na realidade, o que se observa no terreno religioso na Alemanha, é que parece que tudo que vem do islamismo incomoda todo mundo.

Em torno deles tudo vira uma interminável discussão, que se revela um poderoso sonífero para uma pessoa que como eu, não dá a mínima pra religião nenhuma. Mas brincadeiras à parte tudo no islamismo gera polêmica na Alemanha. Desde a construção de novas mesquitas à mulheres que usam lenço ou burca. Aí todos os argumentos de liberdade religiosa da Alemanha acabam caindo por terra. Nesse sentido, o Brasil está longe de ser o paraíso da tolerância religiosa, mas em comparação, acho que estamos melhor na fita.

Samstag, 23. Februar 2013

Gangam Style

Passei um fim de semana na casa de uma tia e um de meus priminhos pequenos estava fascinado pelo cantor coreano Psy. Perdi as contas de quantas vezes tive de ouvir Gangam Style naquele fim de semana. O resultado foi que eu fiquei com a música repetindo em minha cabeça e acho que por isso acabei atraíndo mil coisas relacionadas a ela. Aí vieram notícias sobre Psy durante o Carnaval e um monte de asneira que eu na verdade não estava nem um pouco interessada em saber. No entanto no meio de um bocado de baboseira do Facebook, uma delas me agradou. Essas duas meninas que fizeram um versão de Gangam Style que dá pra ouvir até como cantiga de ninar. Adorei! Que pena que meu priminho estava obsecado pela versão original e não por essa.

Donnerstag, 21. Februar 2013

Dois mundos de felicidade

O prédio do parlamento/câmara dos vereadores de Bremen
Pra quem ainda não sabe, eu vivo entre dois mundos. Entre duas cidades de dois continentes. Bremen e Salvador. Amo as duas com a mesma intensidade por motivos diferentes e sou muito grata por poder viver essa experiência. Dividir a vida entre dois países não é muito fácil, mas ao mesmo tempo é muito interessante. Não vou poder reclamar de tédio nunca. No início eu era simplesmente fascinada pelas coisas novas que descobria em Bremen. Hoje em dia eu me fascino não só por isso, como também com a constante redescoberta de minha casa, de minha cidade, de meu país. 
Atrás do Farol da Barra em Salvador
Eu normalmente volto ao Brasil uma vez por ano e fico um pouco mais do que outros expatriados se permitem ficar nessas voltas à casa. Por isso acabo tendo uma visão de Salvador, não de turista na própria casa e sim de alguém que está voltando, que tem dia a dia e coisas pra fazer apesar de estar de "férias". Eu adoro isso. Sinto como se eu tivesse recebido um presente. Uma situação de vida que me permite estar sempre deslumbrada, sempre descobrindo coisas novas, nunca me permitindo viver no automático, sem prestar atenção às coisas que vejo. 

Resumindo, eu deixo de ter a possibilidade de viver ao lado das pessoas que eu amo sempre, mas ganho em troca um olhar sempre vivo diante da vida. Isso sem contar que minhas muitas despedidas e retornos me oferecem muitas demonstrações de carinho de meus amigos e família sempre. Como isso me faz feliz.