Sonntag, 28. Juni 2015

Por que escrevo



Imagem: Pixabay
Sempre gostei de escrever e sempre escrevi. Várias de minhas lembranças de minha infância incluem papel, canetas, lápis e eu tomando notas de coisas. Meus pais logo perceberam aquela relação especial que eu tinha com a escrita e, apesar de não serem muito letrados, sempre estimularam a minha relação de amor com as letras como puderam. Meu pai nunca deixava faltar caneta e papel onde quer que eu estivesse e minha mãe me presenteou com minha primeira máquina de escrever aos 10 anos de idade.

Minha primeira máquina de datilografia era linda, compacta, tinha uma capinha estilosa, era verdinha e, apesar de seus 10 quilos, era considerada portátil pros padrões da época. Eu arrastava meu trambolhinho verde pra toda parte, toda orgulhosa, me sentindo por “ser escritora”. Ai, como eu me achava...

Com o tempo, comecei a encarar o que eu escrevia com mais senso crítico e memancol, então não demorou muito pra perceber que não escrevo assim tão bem, que erro gramática descarada e preguiçosamente e que a criatividade não anda muito do meu lado. Mas gosto de me expressar por meio da escrita e nunca pensei que devesse parar só por escrever assim mais ou menos. Fale sério, será que alguém deve parar de dançar só porque dança mal? Parar de cantar pelo mesmo motivo? Eu acho que não. Faça o que te faz feliz, eu hein...

Eu sempre escrevi e sempre guardei a sete chaves tudo que escrevia. Em parte porque sempre soube que minha escrita não era essas coisas todas e também porque o que escrevo é muito meu mesmo. Meus textos são tão pessoais que muitas vezes até me surpreendo quando alguém curte o que eu escrevi. É bom saber que tem outras pessoas que pensam parecido com a gente. 

Quando eu fui pra Alemanha, meus amigos me perguntavam muito sobre a vida lá e eu me via constantemente respondendo às mesmas coisas. As curiosidades eram parecidas, as respostas, repetitivas. Por isso resolvi fazer este blog. No início, era uma forma de contar pra meus amigos um pouco de minha vida em Bremen. Era saciar a curiosidade de meus amigos ao mesmo tempo em que tinha a desculpa perfeita pra meu hobby existir. E daí não parei mais de escrever. Só que dessa vez, em vez de escrever pra lata do lixo, passei a escrever para relembrar e pra meus amigos também.

Amigos são pessoas sem noção e muitos deles começaram a elogiar meus textos, passaram a acompanhar meu blog e a exigir updates. Meu ego adorava aquilo apesar de saber que amigo exagera. Danei a escrever mais e, com o tempo, passei até a gostar genuinamente de um textinho aqui outro ali. Acabei tomando coragem pra deixar mais gente ver o que escrevo por meio das redes sociais, e essa decisão me mostrou que compartilhar o que escrevo além de meu círculo de amigos tem vantagens e desvantagens.

Entre as vantagens, incluo conhecer gente nova, mesmo que somente virtualmente, que tem vivências e visões de mundo parecidas com as minhas ou que sentem empatia com alguma coisa que eu escrevi. É bacana também quando alguém diz que passou a entender alguma coisa ou a pensar sobre um determinado tema de forma diferente depois que leu algum post aqui. Como professora nata, confesso que me derreto com essas coisas.

Mas escrever pra um blog exige também muita organização, que eu nem sempre tenho, uma série de bloquinhos, apps e estratégias para capturar ideias e textos que me surpreendem nos momentos mais incovenientes, paciência e sangue frio pra lidar com certas figuras da internet. Mas isso aí dá muito assunto pra outra postagem. 

Tenho me perguntado muito pra que continuar escrevendo este blog. A resposta é que meu amor por hobbies criativos se juntou ao hábito. Sempre escrevi, só que os textos que antes eram produzidos em minha maquininha de escrever e que iam parar em um caderno-fichário, ou nas latas de lixo da casa, hoje surgem aqui de meu computador e vão ficando por aqui para quem interessar possa. O que, quando menina, por pura insegurança, eu escondia hoje mostro numa boa por acreditar que no que eu escrevo está o que eu acredito, revela-se também um pouco do que me atrai como leitora e muito de quem eu sou. Do auge de meus 38 anos, não consigo encontrar nenhuma razão para me envergonhar, tratar o que eu produzo como lixo e me esconder disso.  




Nina, obrigada mais uma vez pela revisão:-)