Dienstag, 8. September 2015

Me achando



Uma vez eu contei mais ou menos como foi a minha transformação de criança diva para mulher cheia de inseguranças e de autoestima frágil. Faz um tempinho que venho cuidando de mim e, hoje em dia, ando em paz com minha aparência e com quem eu sou. Mas chegar até aqui não foi tão fácil. Foi e continua sendo um caminho longo e muitas vezes doloroso e cheio de tropeços, mas que sem dúvida nenhuma, me faz mais feliz.

Não sei dizer quando foi exatamente que comecei a reconquistar a tranquilidade de me olhar no espelho, mas sei que uma série de eventos e descobertas me levaram  até isso. Acho que a primeira luzinha se acendeu quando entendi que realmente não dá pra agradar a todo mundo o tempo todo. As pessoas sempre vão ter alguma coisa pra dizer sobre nossa aparência, quer a gente tenha perguntado ou não, e essas opiniões nem sempre estão em concordância com o que pensamos de nós mesmos. Isso é fato. Podemos até tentar embarcar nessa tarefa sem sentido, mas isso só vai criar sofrimento.

Quem me ajudou a entender isso foi meu cabelo. Teve uma época em que ele era tão criticado que eu vivia no eterno estado de vergonha de mim mesma. Falava baixinho e viraria invisível se pudesse. Na tentativa de me sentir aceita, resolvi alisar. Com o cabelo alisado, teve gente me perguntando se eu tinha problemas com minha negritude e dizendo que meu crespo antes era mais aceitável. Resolvi voltar a usá-lo natural, e teve gente me perguntando por que eu não dava um relaxamento. A saga de meu cabelo merece um post só pra ele. E foi ele quem um dia me fez encher o saco e me olhar no espelho com todo carinho e paciência, querendo de fato descobrir como EU gostava de usá-lo. 

Descobri que definitivamente era mais produtivo investir energia em tentar agradar a mim mesma. Eu realmente me interesso por mim. O resto do mundo só fala porque não tem nada melhor pra fazer. Quando entendi isso, me dei o direito de mudar de vez em quando, variar meus penteados e me divertir comigo mesma. Parei de me preocupar tanto e até de perguntar a opinião dos outros sobre a minha aparência. Passei a entender que as pessoas têm direito de não gostar do que eu gosto e também têm o direito de dizer o que pensam sobre mim. O que eu me esquecia antes é que eu também tenho o direito de nem ligar. 
Acho que foi mais ou menos nessa mesma época que eu passei a notar que algumas amigas tinham dilemas parecidos e lidavam com dores semelhantes. Bastava minhas amigas gordinhas começarem a fazer alguma dieta para aparecer alguém opinando: “Ah, mas essa dieta não é saudável. Porque você não faz dieta x, y, z?” Outras se vestiam de uma determinada maneira e logo aparecia alguém pra dizer o quanto aquela blusa as tinha engordado, o quanto aquela cor de cabelo as tinha envelhecido e uma série de outras opiniões não solicitadas e invasivas.

À medida que eu ia ficando mais convencida de que a única opinião que importa sobre minha aparência é a minha, as pessoas compartilhavam menos suas opiniões sobre meu corpo, meu cabelo e meu modo de me vestir. Talvez a minha nova autoconfiança de fato tenha me deixado mais bonita, talvez eu tenha endurecido minha forma de reagir a comentários e opiniões alheias e as pessoas andem com medo de me dizer que não gostam do que veem quando olham para mim. Ou talvez nada tenha mudado e elas continuem dizendo o que sempre disseram e eu simplesmente as escute com outra consciência de mim mesma e, com isso, não esteja mais deixando essa opiniões fazerem qualquer efeito em mim. Sei lá. Como eu disse antes, qualquer que seja a teoria, estou feliz com minha imagem no espelho e sempre adoro minhas fotos:-).

Dentro desse processo, achei importante também parar de fazer com os outros aquilo que não gostava que fizessem comigo. Hoje eu evito fazer comentários sobre a aparência das pessoas e, se eu falar qualquer coisa, faço questão de que seja positiva. Se eu não tiver o que elogiar no visual de alguém, guardo meu comentário pra mim mesma. A gente diz a uma pessoa que ela é gorda, que o cabelo dela é feio, que o estilo dela é estranho e o que a gente ou essa pessoa ganha com isso? Muda alguma coisa pra melhor? Faz você ou ela mais feliz? Com certeza não. 

A gente muitas vezes se esquece de que nossos comentários não são tão originais quanto parecem. Com certeza, não fomos os primeiros a pensar ou a dizer algo sobre alguém e garanto que, em 99% dos casos, as pessoas para as quais a gente acha que precisa dar um toque já estão bem cientes da situação sem que a gente precise dizer qualquer coisa. Gordo sabe que é gordo, quem tem cabelo crespo, cara oleosa, espinha no rosto, cabelo sem corte (insira aqui qualquer coisa que você considere um problema e te incomode na aparência alheia) idem. Elas provavelmente notaram isso muito antes de você, logo, se você não é médic@, mãe ou pai da pessoa ou responsável diret@ pela sua saúde e bem estar, guarde sua opinião negativa para você ou pelo menos espere ser perguntad@. Não é tão difícil.

Acho que uma das últimas fases desse processo de autoaceitação veio quando conheci meu marido e ele, de uma forma muito especial, me relembrou que beleza, como quase tudo na vida, é relativo. No início de nosso relacionamento, me surpreendia ao perceber que nossos conceitos de beleza eram super desencontrados. Pessoas que eu achava absolutamente comuns, ele achava maravilhosas, lindas e perfeitas. Depois, a situação se invertia e eu estava impressionada com a beleza de pessoas que ele achava apenas ok. 

Beleza, em nossos tempos, é um conceito bem manipulado e conduzido. A gente é levado a achar o belo em certas coisas escolhidas a dedo, no geral, com o intuito de vender alguma coisa, mas a verdadeira beleza sempre esteve e sempre estará no nosso olhar. Onde a gente quiser enxergar o belo, a gente enxerga e, como cada olhar é único, cada beleza idem. 

É isso que procuro exercitar comigo mesma hoje em dia. Me olho no espelho e escolho me enxergar bonita. Olho minhas fotos e me recuso a me concentrar em qualquer imperfeição. Não é que eu esteja alucinando, não. Podem voltar um pouquinho no texto e percebam que eu sei, sem que ninguém precise me dizer, quais são os aspectos de minha aparência que não correspondem ao que querem promover como belo. É só que eu tenho treinado meu olhar para procurar a beleza em primeiro lugar sempre, e quem procura acha.

Toda feliz e me achando:-)

1 Kommentar:

  1. Ai, amiga! Entendo bem sua saga de aceitação. Nossa, a questão do cabelo então... Ter cabelo crespo tendo nascido no Brasil não é fácil. Acho q se eu tivesse nascido aqui na Alemanha com meu cabelo não teria tido tantos dilemas e frustrações. O cabelo não teria sido um "issue" tão grande em minha vida. Não sei... Talvez hoje em dia as coisas estejam mudando no Brasil, espero q sim. De qq forma, me identifiquei bastante com o texto. Vc cada vez mais se superando. E cada dia mais LINDA! Tem mais é q se achar MESMO! Qd eu crescer, quero ser igual a vc! ;-)

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